[MÊS DO BRASIL] A Capital da Solidão #2


Apesar de termos na memória a imagem dos padres como algo muito forte na história de São Paulo, eles duraram muito pouco tempo lá, sendo logo expulsos pelos bandeirantes que, na época, não se chamavam assim.

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Raposo Tavares, bandeirante cruel

Muitos dos bairros e cidades vizinhas a São Paulo eram aldeamentos, ou seja, vilas artificiais criadas pelos jesuítas, nas quais reuniam os índios para viverem este mundo utópico, de pureza cristã, longe dos perigos do mundo. No final das contas, se tornou apenas uma forma mais simples dos escravagistas caçarem índios (o que era ilegal, aliás).

Quando os aldeamentos próximos, como Cotia, Santana do Parnaíba, Mairiporã, Carapicuíba, Barueri (nomes indígenas, não por acaso), viraram fazendas dos bandeirantes (onde se plantava trigo, milho, feijão, mandioca e havia criação de gado, ovelhas e galinhas), eles começaram a fazer incursões ao sul do Brasil, atacando reduções e missões (aldeamentos espanhóis), aprisionando números impressionantes de índios (30 mil). O mais interessante é que os bandeirantes atacavam usando exércitos imensos de índios. Ou seja, eram índios que caçavam outros índios.

Henrique_Bernardelli_-_Os_Bandeirantes,_1889

Os Bandeirantes – Henrique Bernardelli, 1889

Os padres nada conseguiam fazer para impedir isso e chegaram a se mudar para outras cidades e estados. Além disso, as autoridades reais não conseguiam exercer poder sobre os habitantes da região, sendo muitas vezes amedrontadas com ameaças físicas.

O poder público, na forma de uma Câmara Municipal muito “meia-boca”, era muito mal executado, já mostrando o que seria o nosso futuro. Por isso, se você acha que São Paulo teve um inicio melhor e depois ficou assim, se engana. A raiz de nosso povo já lembra muito nossa realidade atual.

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Algumas curiosidades:

  • Piratininga, nome da região onde São Paulo está, significa peixe seco, pois, quando os rios transbordavam – coisa que acontece até hoje – os peixes ficavam nas margens, morrendo e secando, poupando o trabalho dos índios;
  • Os nativos do Brasil eram chamados de brasis;
  • O padre Anchieta criou a primeira gramática do Tupi;
  • A população da antiga Santo André se fundiu a de São Paulo;
  • O Rio de Janeiro foi fundado em parte para proteger a região dos ataques franceses;
  • A população não gostava de pão de trigo (o que mudaria com o pão francês). Para você ver que original do Brasil é mesmo a broa de milho e o pão de queijo 😉

Veja a Parte I desse Diário

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4 pensamentos sobre “[MÊS DO BRASIL] A Capital da Solidão #2

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