[MÊS DAS MULHERES] A Mulher de Trinta Anos #8


(Este trecho se refere à Quinta e Sexta Partes)

Numa descida moral, o marquês perde toda a fortuna e se exila na Espanha, deixando a família só. Após alguns anos, recupera parte dela e retorna à França de navio, pela costa do Atlântico, em direção ao porto de Bordeaux. Lá seu navio é interceptado por piratas (nunca que você iria imaginar que haveria corsários nas páginas desse livro, não é mesmo?).

1013570-2

Pessoas são mortas e as fortunas roubadas, menos as do general que reconhece, entre os bandidos, sua filha Helena. Esta, ao contrário da mãe, era agora mulher livre (até onde uma mulher naquela época podia sê-lo) e feliz, mãe de quatro crianças.

Ela lhe dá presentes e ele parte, morrendo de cansaço, logo em seguida.

Lago_de_Gaube

Voltamos então à Júlia e a sua relação com Moína que – mais uma punição de Balzac – é o oposto da dinâmica que tinha com Helena. Ou seja, se esta última fazia de tudo para ser vista e amada, Moína tem toda a atenção do mundo, mas é indiferente à mãe.

Numa viagem que a moça quis fazer aos Pirineus franceses (acima), Júlia encontra, ao acaso, Helena moribunda, vítima de um naufrágio, tendo salvo apenas um de seus filhos (é claro que a filha livre não poderia sê-lo por muito tempo, sem uma desgraça a atingi-la).

Mesmo que mãe e filha se perdoem no leito de morte, Júlia usa este evento para ensinar Moína de que este é o desfecho trágico quando uma mulher resolve “sair da linha”.

680x250_Faubourg-Saint-Germain_0

Aos 50 anos, Júlia reaparece muito envelhecida, provavelmente devido ao sofrimento. Ela caminha pelo bairro Saint-Germain (acima), em Paris, onde sua filha tem um palacete, tendo feito bom casamento. Seus outros filhos, Abel e Gustavo, morreram em incursões militares e de doença, respectivamente.

Para piorar, o filho de Carlos – antigo amor de Júlia – agora é amante de Moína. Apesar da repetição da situação, Alfredo não tem bom caráter e a filha de Júlia é por demais mimada e imprudente, para evitar o adultério. Tentando proteger a filha, que não a escuta, a marquesa tem um ataque e morre, a tempo de ver Moína, pelo menos aparentemente, arrependida.

Neste trecho, Balzac nos explica que as mulheres só mostram profundidade no rosto a partir dos 30 anos e, o que vemos em suas faces, é desagradável à sociedade, que prefere o frescor e a superficialidade das jovens. Por isso, quando fica velha, Júlia é tal como uma sombra circulando silenciosamente pela corte, ignorada por todos, inclusive e principalmente, pela filha.

Veja as Partes desse Diário:

  • Primeiros Erros – I, II, III e IV
  • Sofrimentos desconhecidos – V
  • Aos trinta anos – VI
  • O dedo de Deus – VII
  • Os dois encontros – VII
  • A velhice de uma mãe culpada – VIII
Anúncios

O que achou dessa leitura?

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s