[MÊS DAS MULHERES] A Mulher de Trinta Anos #7


(Este trecho se refere à Quarta e Quinta Partes)

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Aqui, o autor se coloca como personagem, ao narrar a cena que tem a sua frente no Bièvre (abaixo), antigo córrego de Paris que foi coberto, no começo do século XX.

Segundo o narrador, Júlia e Carlos estão passeando com um menino loiro de 6 anos e Helena, descrita como tendo cabelos negros, com 8. Ele observa que a menina tem uma feição raivosa e estranha a uma criança e que transmite mais vitalidade que seu irmãozinho.

Tudo dá a entender que o menino (também chamado Carlos) é o filho amado que Júlia havia sugerido ao cura num dos capítulos passados, enquanto que a menina é fruto de relações sem prazer, daí a diferença de tratamento da mãe: muito amorosa ao menino, fria à menina.

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Logo, era de se esperar que, se vendo sempre em segundo plano, Helena se revoltasse. O problema é que, se irritando com o irmão, o empurrou num acesso irracional. Numa fatalidade, o menino bateu a cabeça numa pedra e logo afundava no rio. Como tal não tinha pescadores e era domingo, nada pôde ser feito para resgatá-lo.

Está aqui a prova, segundo o autor, de como Deus castiga as mulheres adúlteras. Isso também se repete em Madame Bovary, de Flaubert. Nada como os homens nos assustarem com suas histórias moralizantes, não é mesmo? Pena que isso persista até hoje. 😦

***

Mais alguns anos se passam e Julia continua recebendo as visitas de Carlos. Descobrimos que ela tinha outro filho de seu marido general, Gustavo. Ele e Helena vão com o pai ao teatro e a peça mostra justamente uma criança sendo morta, o que traz lembranças ruins para todos. Um notário, que assiste a este mal-estar, fica dando pitacos e alguns foras.

***

Palácio de Versalhes, França_thumb[2]

Na Quinta Parte, Júlia, na casa de campo, em Versalhes, está com 36 anos e já teve mais dois filhos: um menino (Abel) e uma menina (Moína). Helena e Gustavo são adolescentes. A época é o Natal. A cena é uma agradável reunião familiar na sala de estar. Balzac descreve a relação ambígua entre Júlia e Helena.

Eis que, no meio da noite, aparece um desconhecido na porta pedindo por asilo, pois estava correndo grave perigo. Vitor o aceita em casa, mas depois descobre se tratar de um assassino fugido. Vendo nele uma chance de se auto-punir pelo assassinato do próprio irmão, Helena resolve ir embora com o bandido.

Os pais ficam sem saber o que fazer e cedem, mas depois o pai, arrependido, conta aos policiais que o assassino raptara a filha e tenta resgatá-la, sem sucesso.

É interessante notar aqui como Vitor muda completamente de personalidade. Até então ele era irresponsável, desatento e mau marido. Nesta parte, ele é atencioso, amoroso e digno.

Veja as Partes I, II, IIIIVV e VI desse Diário

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