[MÊS DAS MULHERES] A Mulher de Trinta Anos #5


(Este trecho se refere à Segunda Parte)

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Um tempo se passa e Julia se muda para uma casa do campo que fora de sua família. Vitor vai para a Espanha, de certo “a trabalho”. Pela descrição de Balzac, evidentemente a marquesa sofre de depressão: quase não come, não brinca com a filha, não recebe ninguém, passa a maior parte do tempo na cama ou olhando o vazio. E tudo isso porque Arthur, o inglês, morreu e ela não tem ninguém com quem se confidenciar a respeito de sua dor. Vale ressaltar que ela tem agora 26 anos.

(Estou achando que o lance dos 30 anos será um renascimento, no final do livro)

O autor também dá a entender que, por ter sido criada pelo pai e, após a Revolução Francesa, que Julia não teve uma educação religiosa o que, neste momento, provavelmente lhe daria força e fé. Isso é revelado quando o cura (acima) da cidade vem vê-la, sendo finalmente recebido, após inúmeras tentativas falhas.

Como ele lhe é gentil, passa a ser seu confessor, diminuindo um pouco seu sofrimento. Numa de suas conversas, ela explica a razão por detrás de seu sofrimento:

Nós, as mulheres, somos mais maltratadas pela civilização que pela natureza (…) para o homem a liberdade, para a mulher deveres.

Também admite que é infeliz na maternidade, algo que até hoje aflige as mulheres: ter filhos sem desejar, ter filhos de pessoas que não amamos, nos impedindo de nos conectar emocionalmente a eles. É interessante que ela frisa que por sua filha, ela daria a vida (inclusive, desistiu de se matar por causa de Helena), mas que isso não significa que aprecie a companhia da menina.

Isso nos remete ao fato de que, atualmente, a maternidade é idealizada. Por isso, uma mulher é duramente criticada nas redes sociais se admite que não gosta de ser mãe, embora ame seu filho. Ou ainda libera os pais de qualquer compromisso, enquanto “caem matando” sobre as mães.

As pessoas se esquecem que, até o século XIX, não existia infância (basta ler Charles Dickens ou Ken Follett), já que as crianças ajudavam em casa e trabalhavam fora. Agora, são criadas como “pequenos reis e rainhas”, o que costuma ser muito danoso do ponto de vista psicológico.

É claro que as crianças merecem segurança, proteção, estabilidade e cuidados, porém, infelizmente se acabou confundindo zelo com mimo, que só incapacita estes futuros adultos a se bastarem na vida. Não é a toa que mimado em inglês é spoiled, literalmente “estragado”.

O livro Amor Líquido discute bastante esta questão e vale a pena dar uma lida.

Veja as Partes I, II, III e IV desse Diário

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3 pensamentos sobre “[MÊS DAS MULHERES] A Mulher de Trinta Anos #5

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