[DIÁRIO DE LEITURA] A Estrada #4


Está ficando cada vez mais frio. O Menino periga não conseguir, pois, com escassez de comida, emagrece a olhos vistos. A Estrada está atolada em neve e o Pai, enfraquecido também, sem conseguir raciocinar direito, sabe que logo não será de grande serventia para manter o filho vivo.

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SPOILER!

Neste ponto chego na cena que mais me chocou no filme: o alçapão na mansão.

Loucos de fome, eles se aventuram numa casa que, no momento, se encontra vazia. Na sala estão pilhas e pilhas de roupas, o que já dá uma ideia do que encontrarão mais para frente. Então, veem o alçapão trancado com cadeado. O Pai supõe que lá haverá comida – não estava errado. Quando consegue abrir e descer as escadas se depara com muitas pessoas nuas e com membros amputados e chamuscados, pessoas que veem nele uma chance de escapar do destino de serem comidas vivas.

Porém, eles tem que se preocupar em salvar a própria pele, já que os “caçadores” estão retornando à casa. A coisa é tão desesperadora, que o Pai já deixa instruído ao Menino que, em caso de extrema necessidade, enfie a arma na boca e se mate.

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Tanto o filme quanto o livro não explicam como se deu esta divisão entre canibais e não-canibais, mas é de se conjecturar que, na ausência de alimento (as vacas foram extintas), algumas pessoas tenham simplesmente atravessado esta linha moral, passando a se alimentar de pessoas, fazendo assim, uma “seleção natural”.

Religiosos, Pai e Filho se recusam a isso, o que entendemos quando encontram o cachorro – páginas atrás – e não o matam para aplacar a fome.

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Felizmente, quando estão quase perdendo as esperanças, encontraram um bunker cheio de enlatados, com aquecimento, banheiro, roupas e camas. Comem regiamente e dormem por dias. Porém, o Pai morre de medo de que logo alguém irá descobri-los e resolve abandonar o local, não antes de trocar de roupa, lavar as velhas, tomar banho e cortar o cabelo.

Vendo estas refeições deles cheias de opções, como feijão, purê de batata, ovos e sobremesas (frutas em calda e chocolate), você fica pensando em como nossa vida é boa. Como temos pequenos luxos negligenciados. Afinal, sem civilização, nós voltamos a ser animais. Comemos o que aparece, dormimos no chão, fazemos nossas necessidades no mato, passamos frio e calor e precisamos estar alertas contra o perigo, o tempo todo.

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Eles ainda encontram outros postos de comida, como uma mansão abandonada e um navio, quando finalmente chegam à praia (que provavelmente fica no México, por estar tudo escrito em espanhol).

A sorte deles termina, no entanto, quando o pai é ferido mortalmente por uma flecha numa cidade abandonada e morre dias depois. O Menino fica ao lado de seu corpo por um bom tempo, sem saber o que fazer, mas é resgatado por outra família, que o adota. Esta cena é bastante comovente e um dos pontos altos da narrativa.

Veja as Partes I, II e III desse Diário

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