[LITERATURA] E O Vento Levou…


Finalmente terminei a saga da Scarlett O´Hara! E quantas coisas tenho que falar à respeito!

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E O Vento Levou… é uma obra escrita pela norte-americana Margaret Mitchell, publicada em 1936. Este foi seu único livro, o que não a impediu de ganhar o Prêmio Pulitzer em 1937 e ter um clássico filmado a partir de sua história em 1939.

(Uma curiosidade: no livro A Bicicleta Azul, uma personagem lê E O Vento Levou…, afinal, a história se passa durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945). Enquanto isso, os personagens de E O Vento Levou…leem Os Miseráveis, publicado em 1862, alguns anos antes da Guerra Civil Norte-Americana).

autant en emporte le vent gone with the wind 1939 réal : Victor Fleming Vivien Leigh Clark Gable Collection Christophel

Scarlett e Rhett

A história retratada no cinema é bem mais simples que a do livro, pois, a meu ver, não se trata propriamente de um romance entre Scarlett, uma moça, filha de família respeitável e Rhett Butler, o aventureiro proscrito da sociedade. Fala, na verdade, sobre a guerra separatista norte-americana, contatada sob o ponto de vista dos habitantes do sul, no caso, os perdedores, separando a trama em antes, durante e depois do conflito.

Scarlett e Rhett não são sulistas típicos, no sentido em que não tem o mesmo idealismo e romantismo de seus conterrâneos. Eles são pragmáticos, sagazes, espertos e fazem qualquer coisa para sobreviver, mesmo que tenham que passar por cima de questões como moralidade, honra e dever. Por causa de sua semelhança intrínseca, eles se entendem, porém, lidam com isso de forma diferente. Rhett aceita quem é (talvez o fato de ser homem o ajude neste sentido de liberdade individual). Já Scarlett passa o tempo todo num dilema entre ser a grande dama que sua mãe fora (elegante, humilde, feminina, pudica) ou uma mulher moderna, que resolve seus problemas sozinha, ganha dinheiro e faz aquilo que bem entender.

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Scarlett, quando sua única tarefa era flertar e arrumar um marido

Dentro dessa atmosfera, fica evidente que o Sul foi uma criança obrigada, pela guerra, a crescer de uma hora para outra, assumindo pesadas responsabilidades, o que levou a maioria da população dita respeitável a ter muita dificuldade em se adaptar aos “novos tempos”. Afinal, o pessoal rico da Geórgia vivia uma vida idílica, cheia de churrascos, piqueniques, passeios a cavalo, refrescos, enquanto os negros faziam todo o trabalho duro, desde cuidar das plantações até cozinhar, vestir seus patrões e tomar conta de suas crianças. O interessante é que eles consideravam os negros as crianças, que deviam ser protegidas quando na prática era o contrário. Então, veio o Norte, industrializado, querendo a libertação dos negros e pronto, o Sul entrou na batalha como se fosse algo romântico, sem se lembrar que a guerra tem custos e que na prática as coisas não são tão bonitas assim.

Claro que isso é uma análise superficial, mas considerei curiosa esta imagem de um Sul infantil, tendo que se sustentar com o próprio trabalho e aceitar seus escravos como homens e mulheres livres. A primeira parte até conseguiram, por ser uma questão de vida ou morte, mas a segunda, como bem sabemos, não deu muito certo, ao ponto de nas próximas décadas terem tido algo muito semelhante ao apartheid – no livro temos, inclusive, menção a Klu Klux Klan – que só se quebrou a partir da década de 1960.

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Tara, a terra de Scarlett, seca pela guerra

A obra de Mitchell traz todas estas questões à tona: o idealismo patriótico, a visão de ambos os lados sobre os negros, os costumes rígidos que oprimiam as mulheres (que não podiam sair desacompanhadas, quanto muito menos sentir prazer com seus maridos), assim como a evolução da sociedade, as questões políticas, etc. Tendo a autora nascida no Sul, pode-se dizer que realmente sabia o que estas pessoas tinham sentido décadas antes de ela nascer.

No meio disso tudo está o fio narrador na pessoa de Scarlett, que se adapta o melhor que pode, mas que, por estar no tempo errado, é duramente punida/reprimida. Isso não significa que ela seja boa pessoa, o que é interessante, considerando que se trata da suposta heroína da história, mas isso não nos impede de ver a quantidade de coisas corretas que ela tenta empreender, mas é impedida pela visão conservadora.

Por fim, falando propriamente do relacionamento Scarlett-Rhett, o que posso dizer é: como faz falta a comunicação entre as pessoas! Ver tudo aquilo que sofreram nos serve de lição. Não se deve confundir orgulho com poder ou dignidade, muito menos se pode amar, sem permitir que o outro nos veja tal como somos.

Detalhes da edição lida:

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Volume 1/ Páginas: 528
Volume 2/ Páginas: 512

Ano: 2013
Editora: BestBolso

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4 pensamentos sobre “[LITERATURA] E O Vento Levou…

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